terça-feira, 14 de março de 2017

ARTIGO: Campanha da fraternidade da CNBB, uma ação de fé, cidadania e respeito à vida

Izalci Lucas

Com o tema “Fraternidade: Biomas brasileiros em defesa da vida”, a Campanha da Fraternidade deste ano coloca a urgência de se despertar em cada um de nós, a consciência ambiental e, com a luz de Deus, perceber o impacto de nossas ações transformando-as em favor do bem à natureza


O lema proposto que é o de “Cultivar e guardar a criação” chama-nos a refletir e agir coletivamente para proteger nossa fauna, flora, nossos mananciais de água e,com isso, garantir às gerações futuras terra fértil e qualidade de vida.

Há pouco mais de um ano vimos acontecer o maior desastre ambiental deste país quando um tsunami de lama cobriu a bela Mariana, o Rio Doce e as cidades que ele banhava. Ceifou vidas humanas, levou casas, matou animais e destruiu memórias. Ali se configurava um descaso e uma irresponsabilidade sem tamanho por parte da empresa que explorava minérios e das autoridades que fizeram vista grossa a uma tragédia que há muito se anunciava. A região aindanão se recuperou, assim como o rio, fonte maior de sobrevivência dos moradores da região. Talvez leve décadas para que possam se recuperar.

A Campanha da Fraternidade deste ano é um alerta para todos nós, mas é sobretudo, um chamamento para que trabalhemos juntos na proteção de nossas maiores riquezas que são os nossos biomas. O Brasil possui seis biomas, sendo a Amazônia o maior deles, entretanto temos dois biomas que não estão protegidos pela nossa lei maior que é a Constituição Brasileira. São os biomas do Cerrado que é considerado o mais antigo e da Caatinga que tem distribuição exclusivamente brasileira. Se os demais biomas que são protegidos sofrem com as ações predadoras do homem, imaginem esses que ainda não o são.

O caso do Cerrado que não integra o texto constitucional brasileiro dá a impressão de que este não possui importância ecológica se comparado aos demais, mas trata-se de uma visão estreita e preconceituosa e se dá em razão de suas árvores com galhos tortos que para muitos não tem a beleza das árvores da mata atlântica, por exemplo, mas como bem disse o poeta Nicholas Behr “Nem tudo o que é torto é errado: veja as pernas do Garrincha, veja as árvores do Cerrado”.

Os índices de biodiversidade do Cerrado são superiores aos verificados na maioria das ecorregiões do planeta. São cerca de 10 mil espécies catalogadas e outras 10 mil ainda em processo da catalogação. A fauna do cerrado é tão rica quanto a Flora e considerada importante para a conservação da biodiversidade mundial. Apesar de toda essa riqueza não há uma lei voltada especificamente para a proteção do Cerrado. Há, no entanto, o PL 25/2015 que trata do tema e que está sendo analisado de forma conclusiva pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Porém há perguntas que não querem calar: Até quando o ser humano vai tratar a natureza simplesmente como objeto de lucro? Qual o mundo que entregaremos para os nossos filhos, netos e gerações futuras?

O padre Leandro Alves de Souza lembrou muito bem o exemplo de São Francisco, “o grande defensor do meio ambiente que nos ensinou com a sua vida e com seus escritos que a natureza não pode ser manipulada muito menos tratada como objeto de lucro, pelo contrário, a natureza é a nossa irmã e o bioma faz parte desse nosso relacionamento fraterno. ”

Esta Campanha da Fraternidade vem mostrar que cuidar dos biomas brasileiros além de ser uma ação de fé e cidadania é um compromisso que temos com Deus.


*Izalci Lucas é deputado federal e presidente regional do PSDB-DF.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

BRASÍLIA OFFICE